Quando o trabalho faz sentido!

Ano passado foi meu primeiro ano como professora na escola pública. Lecionei para 8 turmas nos três níveis do ensino médio e em média tive 150 alunos. Ao longo do ano eu aprendi o nome de cada um, sem exceção, porque pra mim, lecionar só é humanizador quando eu sei quem é o indivíduo que eu estou ensinando. E para além do nome, fiz questão de conhecer uma pequena parte da vida de cada um deles no primeiro dia de aula.  

Já nos últimos dias de aula, achei que seria interessante pedir a eles que respondessem um questionário sobre o meu trabalho durante o ano, e a partir desse feedback, eu pudesse aprimorar cada vez mais minha didática e métodos, já que o objetivo da escola e da educação é o estudante, a opinião deles seria a mais importante nesse sentido. 


Consegui receber 92 respostas, de um questionário com 10 perguntas e opções de resposta (podendo inclusive ser mais de uma) e uma caixinha para sugestões, críticas ou elogios. Hoje eu estava fazendo a “apuração” dessas respostas, e fiquei não só com saudade de cada aluno que se identificou voluntariamente, como muito emocionada com tanta demonstração de carinho e reconhecimento. 


Selecionei as duas alternativas mais marcadas por eles e esses foram alguns dos resultados que eu obtive, de acordo com a percepção deles: 


  • Sobre o programa e os objetivos da disciplina: 

  70% assinalou que eu apresento os objetivos da disciplina de forma satisfatória            e inclusive abro discussões sobre o programa;

  27% assinalou que eu apresento e discuto o programa de forma sucinta.


  • Sobre a interdisciplinaridade com outras disciplinas:

63% assinalou que eu sempre (ou quase sempre) relaciono a minha disciplina com outras do currículo escolar.


  • Sobre a metodologia que eu utilizava em sala de aula:
    62% assinalou que eu sempre utilizo metodologias que os motivam para a aprendizagem;

28% assinalou que eu utilizo uma metodologia que atende a finalidade da disciplina.


  • Sobre a forma como os avalio:

46% assinalou que eu analiso os resultados das avaliações com eles e oriento na superação de dificuldades;

47% assinalou que eu analiso os resultados em conjunto e discuto melhorias e outras opções de avaliação. 


  • Sobre o meu comprometimento com eles: 

70% assinalou que eu me preocupo em garantir a aprendizagem de todos os alunos;

30% assinalou o mesmo e completou que eu garanto isso para a maioria deles;


  • Sobre o meu domínio de conteúdo, análise crítica e apresentação de reflexões:

58% assinalou que eu desenvolvo o conteúdo da disciplina apresentando diversas posições teóricas e de forma crítica;


  • Sobre o estímulo à participação deles: 

79% assinou que eu sempre incentivo e acompanho a participação deles nas atividades programadas;


  • Sobre a forma como me expresso e me comunico com eles:

73% assinalou que eu me comunico de forma clara, facilitando a compreensão;

33% assinalou que eu utilizo vocabulário compreensível e dou exemplos de outras palavras que eles não entendem num primeiro momento;


  • Sobre o domínio do comportamento dos alunos na sala de aula e autoridade: 

54% assinalou que eu busco apresentar autoridade, mas nem todos alunos me respeitam;

31% assinalou que eu apresento autoridade e todos os alunos me respeitam;


  • Sobre a aprendizagem deles:

95% assinalou que aprendeu a maioria (56%) (ou alguns - 39%) dos conteúdos.


Além desse feedback muito positivo e motivador, recebi 50 mensagens me elogiando (sério, eu chorei!). No final postei todas as imagens!


É tão gratificante perceber que trabalho no que eu amo, com muita dedicação e reconhecimento de quem mais me interessa. E ao mesmo tempo, é muito triste saber que a profissão que eu amo é tão desvalorizada pelo Estado e temos que lutar todos os dias para driblar as dificuldades que encontramos nas nossas condições trabalhistas e pedagógicas… 


Ninguém é professor por amor apenas, até porque amor não paga boletos, não alimenta, não garante um teto, nem nos transporta pra nenhum lugar, e pedir por melhorias para a nossa profissão não isenta de que façamos um bom trabalho nas condições que temos.


Eu fiz o melhor que pude, na experiência que tinha, com o conhecimento e preparação que recebi, e, por mais positivo que foi, sempre enfrentei dificuldades para que meus alunos pudessem ter um ensino de qualidade. O meu trabalho pode melhorar, mas principalmente, se for possível ter as devidas condições, salário, jornada, material e direitos que eu necessito para tal ação. 


No mais, para quem sempre me questionou que ser professor não ia dar em nada: talvez eu não tenha o reconhecimento e valorização profissional que a sociedade deveria demonstrar, mas meu travesseiro não pesa porque pro resto da minha vida vou me dedicar a uma profissão com muito amor e empenho, porque é isso que dá sentido a minha vida, apesar de tudo.               





















































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