sobre o amargo, o vidro e a sede

[25/07, 02:03] O gosto amargo da rejeição. Eu que nunca tenho dificuldade alguma para conseguir dormir, me pego aqui revirando a cama.
Amargo porque, de certa forma, sinto o gosto na boca. 
É claro que a rejeição incomoda. Ninguém gosta de ter um cristalzinho de expectativa construído e lapidado ser quebrado em pedacinhos de uma vez e sem aviso prévio.
Engraçado que, enquanto escrevo, percebo que esse cristal era realmente pequeno, e talvez eu tenha dado importância demais pra ele...
Eu só não entendo muito como acontece isso de começar a construir esse cristal. Na verdade, suspeito. Acho que é na necessidade de suprir uma falta que tem o mesmo formato do cristalzinho que a gente esculpiu no nosso imaginário. Às vezes ele não chega a quebrar, só não entra de primeira, mas se torna algo que dá pra ser lapidado de forma saudável. Porém, o que acontece quando ele se quebra todo? 
A gente junta os pedacinhos e tenta colar de novo? 
Ou a gente faz igual quando um copo de vidro se quebra assim e compra outro?
Acho mais fácil ir à loja de copos n'outro dia...
Mas, nossa! Que chato pensar que ainda preciso esperar a noite toda pra ir até lá... E se me der sede e eu precisar dele?
Quase me preocupo... Não tem só um copo na casa, hein...
E mesmo que não tivesse mais, dá pra beber água de outras formas.
O grande detalhe é que pra tirar esse amargo da boca, só com bastante água, com um copo bem cheio e gelado, igual era o que se quebrou... Não vai ser agora que eu vou conseguir, porque os outros copos não tem o mesmo tamanho.
E quanto à expectativa, o que nos move, se não, ela?
Mas se move, nos move quanto? A ponto de cansar, se esgotar, ou faz bem esse movimento?
Eu ando me vendo apenas esgotada nos últimos tempos...
E por mais que eu tente manter o pique, sempre acontece algo que me desanima. E cada vez mais. 
E aí amanhece, eu vou logo comprar outro copo, mato a minha sede. Em questão de minutos, vejo o dia, a semana, o mês... E eles se tornam um horizonte para se buscar até eu ficar com sede de novo. 
Como faço para desacelerar, mas não parar? 
Como faço para me hidratar para não chegar ao extremo da sede sem um copo?

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