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Mostrando postagens de janeiro, 2018

Serhumanidade

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(...)  Pra começar, caviar não me representa - nunca vi nem comi, só ouço falar. Caviar é uma ova - literalmente. Entendo a metáfora, mas acho que não se aplica a essa nova esquerda hipster que vocês tanto odeiam. Melhor seria Esquerda Maionese Trufada. Esquerda Cerveja Artesanal. Esquerda Bicicleta de Bambu. Aí sim: esse cara sou eu. Ou, para ser sincero, nem assim. Às seis da manhã, precisamente, tendo à extrema direita. Não me interessam os problemas do mundo, já tenho problemas demais - só me interessa conseguir um café quente. Às nove da manhã, leio o jornal e descambo pro maoismo: só mesmo a luta armada pode mudar tudo. Até que fumo um baseado e recaio pra direita libertária. "Cada um é cada um e o Estado não tem nada a ver com isso." No primeiro gole de cachaça, abraço moradores de rua e pergunto: "Cadê esse Estado que não te dá casa, comida e roupa lavada?". Só usei cocaína uma vez e, depois, nunca mais: quando vi estava fazendo discursos a favor da ...

Consumo e necessidade

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Don Staler (2002) estuda a cultura do consumo estendendo o período histórico de análise à modernidade, contrapondo-se àqueles que julgam ser esse um fenômeno mais recente, pertinente ao mundo contemporâneo. Além de ampliar a visão a respeito do consumo, ao incluir disciplinas como a sociologia, a antropologia, a história e a geografia, Stlaer enfatiza que a questão comum a todas elas é a natureza as condições sociais, buscando-se investigar de que forma as percepções, escolhas, vontades e desejos individuais interagem no contexto das condições sociais, instituições e sistemas. Diferentemente do mundo moderno, as sociedades contemporâneas caracterizam-se pela contínua luta do indivíduo por estabelecer uma identidade, por efetuar escolhas entre o individual e o coletivo, entre o público e o privado, entre o global e o local, numa disputa incessante pelo poder. Em meio a esses conflitos, o consumo vem expressar o modo como se quer (ou não) viver, como a sociedade é (ou deveria ser) o...

Sutiã? Pra quê?

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Sempre dou risada quando lembro da primeira vez que ganhei um sutiã. Eu chorei muito. Aquilo era um símbolo de maturidade que eu ainda não estava preparada pra ter. Eu tinha apenas 13 anos. Minha vó e minha mãe decidiram que estava na hora de eu começar a usar. Mas pra quê? Perguntei. Como sempre. Elas disseram que era porque eu já estava me tornando uma mocinha pra ficar andando por aí com os biquinhos aparecendo na blusa e todos os homens vendo. Eu me senti mais envergonhada ainda. Tive rejeição pelos próprios seios, quando eu nem deveria saber o que era um sutiã ainda. Engoli o choro. Experimentei o sutiãzinho. Minha mãe completou: "Daqui a pouco eles vão crescer mais e você precisa usar para não deixá-los caídos mais tarde". Eu não entendi qual seria o problema deles serem como são, mas me senti na obrigação de botá-los pra cima. Nossa! Como aquele negócio apertando me incomodava. Mas tudo bem, né? Mamãe e vovó colocaram na minha cabecinha que era feio mulhe...

Sobre morte, alma e universo

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