sobre minorias e suas próximas lutas




em tempos de neo-fascismo, conservadorismo e fundamentalismo é importante sempre reforçar didaticamente algumas questões muito pertinentes enquanto ainda temos liberdade de expressão para discutí-las.
dessa forma, saibamos como fazer o mínimo no nosso cotidiano e também entender como as minorias foram vistas nas gerações passadas e como esperamos que elas sejam reconhecidas no futuro.
é animador como que de ano em ano, as coisas vão fluindo e as ideias amadurecendo mas sempre surgem questões como: o que esperar das novas gerações? como desconstruir o conservadorismo das que já passaram? qual o papel da nossa geração atual?
dois dos pontos principais que regem esse contexto são: 1) local de fala e 2) colocar-se no lugar do outro: acredite, são pontos diferentes e, além disso, são peças-chave pra entender tudo.
por exemplo, imagine como era no tempo de seus avós: o passado revela que racismo, machismo, lgbtfobia, nem chegavam a ser reconhecidos, pois o patriarcado, a branquitude e a heteronormatividade eram incisivos.
gosto sempre de frisar que: homem hétero branco e cis é sempre um machista racista lgbtfóbico em POTENCIAL, assim como todos que não pertencem à esses grupos também são.
o que quero dizer com "potencial"?
ora, é muito acessível e cômodo que uma pessoa que não faça parte de uma minoria tenda a oprimir à mesma e por quê? simplesmente por não se colocar automaticamente no lugar do outro para entender sua realidade.
mas entenda, empatia tem nada a ver com tomar local de fala: uma coisa é tentar enxergar como o outro sofre, outra coisa é querer explicar ao outro seu próprio sofrimento.
nesse sentido, em que medida deve-se agir?
é muito simples (e ainda não entendo porque na nossa geração ainda se considera isso "mimimi").
vamos dar um exemplo prático:
quando uma mulher está passando na rua e um homem sentado na calçada simplesmente a respeita não fazendo nenhum comentário que a for incomodar ou a fazer sentir medo, ele está no mínimo pensando como sua própria mãe se sentiria se fosse ela > isso é empatia!
agora, quando um homem quer EXPLICAR a uma mulher qualquer coisa que ela já saiba ou faça parte da essência feminina no sentido de a menosprezar quanto a sua capacidade e/ou inteligência OU simplesmente querer PROTAGONIZAR o feminismo, ele está fazendo papel de ridículo! é como se eles quisessem explicar a elas como é ter cólica menstrual sem nem possuir um útero > isso é tomar local de fala (ou querer ensinar o padre rezar).
pode parecer ilógico, mas isso existe e muito! então, dica para você que é:
homem: não protagonize o feminismo, você nunca vai entender como é ser mulher e sentir na pele o que ela passa dentro de uma sociedade patriarcal.
branco: nunca diga que o racismo não existe e nem nada nesse contexto, é MUITA falta de caráter não reconhecer toda a opressão que os negros sofreram e ainda sofrem simplesmente por serem quem são.
hétero: entenda que a sua sexualidade não é a única, não é porque o mundo é heteronormativo que as pessoas também devem ser, ninguém simplesmente escolheu sentir atração pelo gênero que sente e é isto.
viu como é fácil entender?
você pode se solidarizar com uma mulher, negrx, lgbt e simplesmente respeitá-los e protegê-los sem tomar seu local de fala: você pode e DEVE apoiar uma causa e uma comunidade, mas NUNCA será parte delas e por isso você não tem o direito de protagonizar nenhuma.
bom senso e respeito ao próximo deveriam ser inatos ao ser humano, mas já que ainda não estamos nessa etapa evolutiva em sua plenitude, continuamos na luta para que para as próximas gerações tratem qualquer ser humano com direitos iguais de forma automática e que as minorias sejam apenas diferentes e não excluídas.
eu sonho com o dia em que homens, mulheres, brancos, negros, héteros e lgbts estarão usufruindo dos mesmos privilégios simplesmente sendo quem são e não tendo que lembrar todo momento que existem e merecem respeito como qualquer um... e para isso, é preciso educar com muito afinco as próximas gerações e confiar que a partir delas o mundo será mais justo e mais humano.

Texto de Fernanda Milan, Graduanda em Ciências Socais, pela FCLAr - UNESP.

Comentários

  1. *Lugar de fala*. Achei o texto interessante, gostei de verdade. Parece que alguém andou lendo "O que é lugar de fala?", estou certo?

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    Respostas
    1. Pior que não cheguei a ler, mas imagino que deve ser um livro muito incrível.

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    2. Muito obrigada, que bom que gostou!

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