E você, de que lado quer estar?
Dentre o espectro político, o fascismo se enquadra no ponto mais extremo do quadrante da direita autoritária. Isto é, no quesito econômico, é considerado direita devido a seus ideais de liberalismo (individualista, capitalista, que nega a intervenção do Estado, etc) e no quesito sociocultural é considerado autoritário e conservador, no que tange os costumes, tradições, ideologias etc.

Texto de Fernanda Milan, Graduanda em Ciências Socais, pela FCLAr - UNESP.
O discurso fascista é retoricamente populista, e por isso, consegue manipular ou influenciar grandes massas: ele aborda questões como "salvar a economia", "manter a moral e os bons costumes", "combater a corrupção", entre outros. Para quem tende a esse lado e pouco sabe sobre os malefícios do fascismo compra o discurso facilmente, pois é de fato, atraente.
Quanto ao seu caráter autoritário, o fascismo abrange uma estrutura totalmente hierárquica, ou seja, há uma única representação de poder, que pode ser um líder ou até mesmo uma facção e que é a expressão máxima de decisões políticas de forma incontestável.
Há uma característica, dentre várias, que define muito bem essa figura representativa e seu grande poder de controle: o culto massificado a um líder - de um sistema unipartidário, onde sua ideologia é a verdade absoluta e não há oposição - legitima as decisões políticas, sociais, culturais e econômicas desse líder, com caráter exclusivo.
Qualquer manifestação contrária a esse líder e a sua ideologia é violentamente reprimida e descartada. O uso da violência pode também ser uma grande característica do fascismo, dado como exemplo, o nazismo, que exterminou milhões de pessoas que eram alvos de perseguição pela ideologia ariana e considerados inimigos da nação alemã.
O nacionalismo exacerbado também é amplamente usado para a manipulação no discurso fascista que desperta uma "identidade nacional" a fim de que seu povo defenda ferozmente sua nação a ponto de acreditar que há um declínio da tradição, dos costumes, da moral de seu país e tendem a querer conservá-las.
Em contramão, a bandeira antifascista surge como forma a combater às manifestação de ódio a minorias, ao racismo, à xenofobia, à negação dos direitos de gênero e sexualidade, a extinção da esquerda e ao fim da democracia, tendo suas raízes no anarquismo, socialismo e comunismo.
O que fica explícito no texto acima é que, para os antifascistas, é bem nítido que toda forma de repressão as liberdades individuais, como por exemplo, nas questões socioculturais, é uma maneira de extinguir a diversidade entre os indivíduos, que são seres das mais diversas culturas e ideologias.
É importante lembrar também que o movimento antifa é algo revolucionário na defesa da existência da esquerda e contrário ao capitalismo e toda sua forma de manutenção. Isto é, o antifascismo é partidário, tem lado e ideologia: ações e resistência contra qualquer forma de opressão e exploração.
É óbvio que há muita desinformação (proposital) e você pode ter defendido algo que nem sabia que ia contra suas crenças e ideais. Mas agora que sabe o mínimo sobre o que se trata tudo isso, pode refletir e aderir à luta que corresponde a sua essência.
Dada toda a contextualização, fica a questão: o que você está vendo acontecer aqui, no Brasil, atualmente é considerado grandes indícios de um fascismo velado? Se não, leia o texto novamente. Se sim, de que lado você quer estar?

Texto de Fernanda Milan, Graduanda em Ciências Socais, pela FCLAr - UNESP.
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