Você conhece a história da inclusão da pessoa com deficiência?
Desde
a Antiguidade até a Contemporaneidade as pessoas com deficiência tiveram
diferentes formas de participação na sociedade e esse processo histórico
mostrou uma evolução no que se refere à inclusão dessas pessoas no meio social.
Na Antiguidade, a regra social era
da exclusão, isto é, pessoas com deficiência eram abandonadas, eram vistas como
personagens de diversão para os outros e até mesmo - na Roma antiga, por
exemplo - vítimas de uma legislação a favor do infanticídio dessas crianças que
nasciam com deficiência. A “justificativa” tentava se dar através do contexto
de atividades econômicas como agricultura de subsistência, pecuária,
artesanato, onde essas pessoas eram consideradas “inúteis” e “improdutivas”
para realizar tal atividades.
Na Idade Média, a exclusão continua
como regra vigente, sendo as pessoas com deficiências ignoradas a própria
sorte, pois sua sobrevivência dependia da caridade de outros. A diferença aqui
está que, no contexto do Cristianismo, o clero defendia a vida de todos, embora
ao mesmo tempo defendesse que a deficiência era um castigo fruto de um pecado
dos pais ou antepassados da pessoa que possuía a deficiência.
No Século XVI, ainda vigorava a
exclusão dessas pessoas, que eram categorizadas como “objetos” de novas teorias
que surgiam. A deficiência passou a ser considerada como um produto de uma
causa natural e orgânica, assim como na matemática começou a ser calculada a
probabilidade de nascerem pessoas com deficiência (10~15%). Ainda nesse
contexto de exclusão, surge uma medicina iniciante, que tratava essas pessoas
com alquimia, magia e astrologia.
A partir do Século XVII, apesar da
exclusão ainda estar no contexto, começa a aparecer também à segregação. Com o
avanço da medicina, fortaleceu-se a tese da organicidade (de que a deficiência
era um fator natural e não espiritual), e, portanto, segregavam-nos em locais
de confinamento: conventos, asilos, hospitais psiquiátricos.
Assim, no Século seguinte (XVIII), a exclusão
deixa de ser uma regra, sendo neste momento, apenas a da segregação. Aqui,
surge o contexto dos paradigmas, onde se vigorou o primeiro deles: a
institucionalização. Nesse sentido, a pessoa diferente ou não produtiva ficava
em um ambiente segregado. É neste momento em que se criam e mantém as Instituições
Totais (Goffman).
Já no século XX, a partir da década
de 60, a nova regra social era a da integração, e para tal, houve críticas ao
1º Paradigma quanto a vários aspectos. Financeiramente era inviável manter
essas instituições, socialmente era injusto, politicamente violava direitos,
além da questão educacional que era inadequada. Assim, com a
desinstitucionalização, inicia-se a integração a partir do 2º Paradigma: o dos
serviços.
Neste 2º Paradigma, a pessoa com
deficiência deve passar por 3 etapas: 1- uma avaliação por uma equipe de
profissionais; 2- intervenção e 3- encaminhamento para a vida na comunidade.
Aqui há também o surgimento de manifestações educacionais: escolas e classes
especiais, como a APAE; entidades assistenciais e centros de reabilitação, como
a AACD. Aqui há o contexto da “normalização” cujo princípio é de que é
necessário uma cura ou um reparo ao sujeito.
Neste sentido, iniciam-se as
críticas ao paradigma dos serviços e ao contexto da normalização, pois, a
pessoa com deficiência deve ter direitos de acesso imediato e contínuo aos
recursos disponíveis aos demais cidadãos, sem haver uma convivência segregada.
Dessa forma, a partir dos anos 80, surge o 3º Paradigma: o do suporte, e junto
a esse paradigma, a atual regra social da “inclusão”.
Esta inclusão¹ trata-se de um processo bidirecional, onde as ações não devem ser
apenas junto à pessoa com deficiência, mas também junto à sociedade num geral:
haverá desenvolvimento do sujeito e ao mesmo tempo reajuste da realidade social.
E para isso, parte-se do princípio de equidade nos suportes, sejam eles
sociais, econômicos, físicos ou instrumentais.
Texto de Fernanda Milan, Graduanda em Ciências Socais, pela FCLAr - UNESP.


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