E agora, José? Is it the end of the world as we know it?

Drummond em 1942 já preconizava, de certa forma, nosso 2023 de maneira poética:

(...)
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.

José, e agora?

se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Se você gritasse,
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!

José, para onde?

O que Drummond não sabia era que esse seu poema seria útil para descrever as inúteis tentativas de parar o aquecimento global e as mudanças climáticas que enfrentaremos nos próximos anos: 

De acordo com essa notícia da BBC, de abril de 2023:

"Pesquisas mostraram que o mundo está aquecendo em saltos, onde pequenas mudanças ao longo de um período de anos e depois há saltos repentinos para cima, como degraus em uma escada, intimamente ligados ao desenvolvimento do El Niño." 

Isso quer dizer o que?

Com a extinção da vida marinha aos poucos e em alguns anos, pelo aumento da temperatura dos oceanos e da poluição, a elevação do nível do mar cresce e o clima se tornarão caóticos, isto tudo acarreta em:

- aumento das chance de formação de ciclones e tsunamis mais intensos;
- diminuição da captação de CO2 da atmosfera (já que 1/4 disso é feito pelas algas marinhas)

Portanto, a combinação disso resulta num ciclo que gerará ainda mais o aquecimento exponencial do planeta.

O homo sapiens, em sua espécie mais "evolutiva" da humanidade, parece não ser tão evoluído assim. 

Desde que o capitalismo foi inventado e o neoliberalismo surgiu, os seres humanos passaram a existir e sobreviver para trabalhar e gerar lucros.

Mas.... esquecerem que VIVER é muito mais que ter dinheiro.

Chegamos no ponto que dinheiro é necessário para a sobrevivência, mas a busca incessante por ele esgotou o ambiente em que vivemos, que é o planeta terra. 

Não há mais estimativas que consigamos reverter as consequências do que a produção desenfreada e acelerada da contemporaneidade causou

Não há mais volta e o que podemos fazer, no máximo, é frear a intensidade do que estamos percebendo nas mudanças climáticas, e em breve, teremos de aprender a nos adaptar, se possível, a um meio ambiente antes não considerado habitável. 

O presidente da ONU já considera que chegamos a fase da "ebulição global", pois o "aquecimento" já passou a ferver.

Esse dinheiro, que o homem e o capitalismo acumularam ao longo desses anos, serve para reverter o problema? Certamente não.

Haverá humanidade para o próximo século? Provavelmente não.

E o que faremos com esse dinheiro que vivemos para ganhar e não poderemos usufruir?

A humanidade enlouqueceu e, junto à sua própria loucura, fez com que o planeta se tornasse um completo caos!

Dito tudo isto, aproveite sua vida, VIVA! Ame, esteja perto de quem ama, realize seus desejos e, se possível, seus sonhos, viaje, divirta-se, vá em seu show favorito, leia seu livro que está na lista para ler há tempos, ouça todos os álbuns que você ainda quer ouvir... nossa ampulheta está com a areia cada vez mais fina e menor.

Parafraseando REM & poeticamente encerrando: 

"It's the end of the world as we used to know it!"


by Fernanda Milan (28 set, 2023).


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Copa do Mundo é Campo de Estudo das Ciências Sociais

Quando o trabalho faz sentido!

sobre o amargo, o vidro e a sede