Freud e o mal-estar da cultura.

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Freud escreve o livro "Mal-estar na civilização" analisando a sociedade da década de 30, período marcado por entre guerras e pós belle époque, cujo contexto envolve desenvolvimento tecnológico que engloba a invenção do automóvel, telefone, eletricidade, etc., assim como grande instabilidade política na Europa. 


É possível dialogar com as teses centrais do livro várias áreas das humanidades, como por exemplo a antropologia, sociologia e educação. Além disso, o título “mal-estar” foi incorporado para vários outros livros e teses atuais.


A tese principal desse livro é provar que com a evolução da civilização, isto é, com a maior possibilidade de opções e escolhas, aumenta nossa necessidade de satisfazer-se, e sendo assim, a busca inevitável e incessante ao prazer nos causa frustração, já que para Freud, é impossível sanar a satisfação para sempre. 



Em todas as sociedades/comunidades há esse tipo de mal-estar, já que, devido ao princípio do prazer e o conceito de sentimento oceânico, explicados por Freud como inatos ao ser humano e à psiquê e devido ao fato de estarmos coagidos a normas sociais que nos limita possuir a liberdade plena, há muito sofrimento ao sublimar nossos desejos e vontades.



 Ainda para Freud, há também, possibilidades genéricas de minimizar o sofrimento causado pela civilização e pela cultura, os quais pode-se citar como exemplo: entorpecentes, antidepressivos, relacionamentos, arte, isolamento social, estética, etc. 



O prazer, explica Freud, também é repensado e possuí fatores. A natureza e o corpo são limites ambientais e naturais da obtenção de prazer, assim como ele pode ser repensado dentro de situações e está algumas vezes fora do nosso controle. 



Quando Freud cita no livro sobre as paranoias, ele está se referindo a tese de que todos nós somos neuróticos em algum momento da vida, e alguns são, com maior intensidade de neurose, classificados como psicóticos. 



Para o autor também é possível especular neuroses coletivas, já que não é possível sublimar todos os desejos, individuais e coletivos. Além disso, a religião é considerada para ele como um “delírio de massas” e não é apropriado ser vinculada à crença de que nós somos, de certa forma, eternos, pois, da mesma forma que remodelamos nossa vida através da moral religiosa, temos a mudança de realidade e do estilo de vida, o que acarreta, novamente, em mais sofrimento. 

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